Nota enviada por Dr. Antonio Nery Filho

07 de junho de 2016

Ao longo dos últimos três anos, a cada encontro, cresceu em mim uma grande admiração pelo médico Leon Garcia, à frente da Diretoria de Prevenção da SENAD/MJ. Não tenho mais idade para admirações gratuitas. Com Leon Garcia, minha admiração deveu-se, no campo técnico, à sua honestidade científica, suas ponderações cuidadosas e juízo crítico; no campo político, ao seu interesse pelos homens e mulheres usuários de psicoativos, seus sofrimentos e vulnerabilidades, coragem de investir em propostas inovadoras, recusa do discurso fácil e enganador; no campo da sociabilidade, pelo respeito à diversidade e a cordialidade com que se dirige a todos, gregos e troianos, mesmo nas eventuais discordância. Agora, diante dos retrocessos oriundos do despreparo técnico, miopia política - ou interesses - do Ministro Osmar Terra, quando despreza todos (mas insuficientes) avanços no campo das substâncias psicoativas e seus usos, evidenciados nos estudos socioantropologicos, epidemiológicos e clínicos, recusando as evidências do fracasso da guerra às drogas, culpabilizando os usuários e acenando com a punição dos que necessitam de cuidado e apoio nos campos da saúde e assistência social, Leon Garcia, diante disto, recusa o silêncio, sem temer as consequência de se fazer ouvir. Cuidando de pessoas em sofrimento direta ou indiretamente relacionado com a vida e o uso de psicoativos, há trinta e cinco anos e na condição de Professor da Faculdade de Medicina da Bahia (UFBA), sem outro interesse que não seja o de exercer uma boa medicina, recuso o retrocesso e me sinto representado por Leon.

Autor: 
Por Dr. Antonio Nery Filho

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