Sessão Especial na Câmara de Vereadores discute a Luta Antimanicomial em Salvador (por Renata Pimentel)

Em Salvador, no dia 19 de maio, foi realizada uma Sessão Especial na Câmara de Vereadores pela vereadora Aladilce e pelo Coletivo Baiano da Luta Antimanicomial, visando discutir sobre a situação da saúde mental em Salvador. Evento contou com a presença do representante da Associação Metamorfose Ambulante de Usuários e Familiares de Saúde Mental (AMEA), Sérgio Pinho, do Superintendente de Atenção Integral à Saúde, da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (SESAB), José Raimundo, do presidente do Conselho Municipal de Saúde, Antonio Marcos, da coordenadora de saúde mental do município, Tereza Costa, da viúva e da irmã de Marcus Vinicius, Marta Melo e Heloisa Alina, respectivamente.

A Sessão foi realizada, também, em homenagem ao militante da luta antimanicomial, Marcus Vinicius, assassinado no dia 04 de fevereiro de 2016, utilizando como tema do evento “Do Luto à Luta!”. Colegas, militantes e familiares exigiram providências e agilidade no processo de investigação. O jornalista Ernesto Marques, amigo de Marcus, pontuou que está difícil “engolir” o assassinato de Marcus Vinicius ainda sem repostas.

José Raimundo informou que a perspectiva da SESAB é caminhar para a redução dos hospitais psiquiátricos. Diante disso, a representante do Conselho Regional de Psicologia (CRP-03), Clarissa Guedes, cobrou um cronograma e planejamento concreto para esse processo de desinstitucionalização. “O CRP defende radicalmente uma sociedade sem manicômios e cada um aqui tem responsabilidade nesse processo”, disse. Aron Miranda, membro do Grupo de Trabalho Eduardo Araújo, também cobrou dos gestores do município e do estado que tenham um compromisso verdadeiro com a desinstitucionalização.

A sessão contou com muitas manifestações de usuários e profissionais dos serviços de saúde mental de Salvador, denunciando a precariedade da rede e exigindo respeito e compromisso dos gestores. Para o usuário Daniel, um dos problemas existentes na rede é a falta de Centros de Atenção Psicossocial que funcionem 24h (CAPS III). Já o usuário Antoniel criticou o fato dos gerentes dos serviços serem cargo político, sem avaliação da competência dos mesmos e do compromisso com a Luta Antimanicomial.

A representante do Coletivo Baiano da Luta Antimanicomial, Deane de Jesus, enfatizou que “a Luta Antimanicomial não pode ficar restrita ao dia de hoje, precisa estar presente nas nossas práticas diárias. Precisamos lutar por uma Reforma verdadeiramente antimanicomial, em que todas as vidas sejam possíveis”. Aponta, também, para o genocídio da população negra; para a questão de raça e de gênero dos usuários. “A sociedade está estruturada para que essas pessoas não existam”, finaliza.

 

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